Encontros

Encontros
São Luís, MA.

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Eu estive mais sensível nos dois últimos dias em que você estava aqui
No último dia as lágrimas involuntariamente saltavam dos meus olhos
Sinto que não consegui me despedir de você. E eu tentei todos os dias, mas nunca conseguia aceitar que era o fim, que precisava dizer tchau. Sei que no fundo eu jamais conseguiria, não conseguirei. Eu entendo que você precisava ir e entendo a falta que você faz. Eu aprendi que quando sentimos falta de alguém é porque na verdade ainda temos essa pessoa dentro de nós. Faz falta fora, aquilo que a gente tá carregando dentro. Eu prefiro sentir a falta doer, ao invés de te esquecer.
Te sinto dentro de mim. Sinto falta de te ver sorrir, de sorrir com você.
O lugar que você construiu dentro de mim, tem estruturas fortes. É sólido.
A pessoa que sempre me mostrava músicas novas, que me levou para ver pessoas sem roupa em uma peça de teatro pela primeira vez, que me levava a Saraus, por quem declamei uma poesia minha pela primeira vez em público, quem me ouviu pela primeira vez cantar minha primeira música,
Se eu pudesse não te deixaria ir, mas a vida te reserva coisas bem maiores. E eu vou estar sempre ao seu lado. Todos os dias você me ensinava a ser menos egoísta, mais orgulhosa rss
Me ensinou a aceitar ausências e entender que elas não são faltas de amor.

São Paulo perdeu o brilho

Com você eu aprendi a tomar café

Eu não consigo ainda lidar...

Um só pedido

Meu amor, eu só queria te pedir

Não se vá, não queira ir

Será necessário me quebrar, vai ter que me partir 

Porque agora tu é a melhor parte de mim 


Não se aparte 

porque sos una parte de mi 


O teu abraço é o meu lugar 


Eu desenho com palavras

E pinto com sentimentos de todas as cores 


Você e eu somos apenas 

Uma menina pequena demais pra amar tanto assim 


Mas quando eu vejo um precipício, eu me jogo.

Pelo prazer que sinto de voar por alguns segundos 

Textos e amores perdidos

 25/10/2019 

Eu não quero prometer o que eu não posso dar
Eu não quero te ver sofrer,
entenda quando eu me afastar
Eu sou fugaz, veloz e estou sozinha
Não existe nós
Eu nasci pra estrada
Pra ir sem voltar
Nem adianta insistir
Eu não posso ficar
Eu não me encaixo em nenhum lugar
Eu gosto de coisas distorcidas
O som amargo da tua voz
E se não der, tá tudo bem
Eu sei que vou te reencontrar
Você quer isso também
Quem olha só vê solidão
É incoerente essa razão, uma previsível ilusão
Você me pediu um beijo
E eu te dei meu coração
E a gente vai acumulando histórias não vividas, amores perdidos, a vida que não foi como a gente queria que tivesse sido
A praia que não fomos e tantas outras coisas que ficaram naquele papel que você rasgou
Que era a lista das coisas que queríamos fazer juntos
As fotos, as cartas, cada lembrança
faz de mim mais dolorida
“Já que eu não mato a saudade, vou deixá-la dormir”
Álvaro Cueva

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Adiando finais

 


(texto encontrado entre páginas escritas no final de 2016)

 

Hoje finalmente eu terminei de ler um livro. Pode parecer bobagem, mas já fazia meses que eu precisava terminar e não conseguia. Eu me sentia presa de alguma maneira, mesmo quando ler esse livro fazia eu perder coisas importantes da minha vida. Era um livro duro, com muitos personagens. A maioria deles não me agradava muito e sentia que eles não se relacionavam bem. Ele tinha palavras obscuras, frases que não faziam sentido. Às vezes eu me perdia e precisava voltar pra ler tudo de novo, mas eu queria continuar. 

Cem páginas depois eu comecei a amar um personagem. Parecia que ele tinha saído de um dos meus sonhos. Cada coisa que ele dizia era exatamente o que eu precisava ler. Eu gostava de mergulhar nas suas aventuras, de conhecer seu mundo, seus sonhos, seus medos. Eu gostava de sentir que que éramos próximos. Muito próximos. A cada dia que passava eu estava mais envolvida. Eu já não comia sem o livro, já não sentia alegria sem ele, já não dormia sem ele do lado. 

Mas o tempo que eu dedicava a ele começou a faltar em outras coisas. Eu comecei a chorar todos os dias, sentia que precisava terminar, mas não conseguia. Até que a dor foi ficando insuportável e eu finalmente terminei o livro. Não foi fácil. Não é fácil abandonar algo que te faz feliz. Quando eu fechei a última página foi como se eu tivesse arrancado um pedaço de mim ou como se ele fosse um espinho que atravessava o meu corpo impedindo meu sangue jorrar. Eu percebi que eu já não suportava mais. Eu o arranquei com as próprias mãos. Sangrei em lágrimas a noite inteira, mas agora acho que essa ferida pode cicatrizar. Eu fechei o livro e parei de escrever essa história. 

 

(É sobre fim, sobre términos, sobre amores, sobre apego. Acredito que nessa época eu estava lendo Cem anos de solidão).

 

quinta-feira, 9 de julho de 2020

As perguntas são absolutas, as respostas não.



Tem coisas que eu faria de tudo para não esquecer. Tem coisas que faria tudo para esquecer. Temos algum controle sobre isso? Um dia me disseram: “transforma isso que você sente em arte, é a única coisa que dá pra fazer”. E para minha surpresa, descobri que o tema a ser estudado na escola esse semestre seria esse: amor. Irônico? Acaso? Destino? Não sei. Mas tenho pensado bastante. Descobri com tudo que pensei que não existe nada além de perguntas. As perguntas são absolutas, as respostas não. O que é amar alguém? Amamos várias pessoas ao mesmo tempo? Ou será que amor e desejo não são a mesma coisa? Ou será que existem diversas formas de amar? Eu criei a ilusão de que tudo seria mais fácil se eu fosse honesta, sincera e transparente sobre os meus sentimentos. Mas quem disse que isso existe? Eu sei de verdade o que eu sinto? Eu tenho certeza sobre quem eu sou e sobre o que eu quero? E o que eu sei hoje vai continuar igual amanhã? Queremos certeza dos outros, não temos nem de nós mesmos. Como amar alguém de maneira saudável se o nosso amor próprio não se sustenta? A outra pessoa se torna uma muleta emocional. “Eu preciso de você”. Não, não precisamos de outra pessoa. Dói perder, desapegar, mas passa. Sentimentos não são coisas concretas e sólidas. São apenas conexões nervosas, como se fossem pequenos choques dentro da nossa cabeça que alteram o funcionamento do nosso corpo. Quando algo nos faz bem, nos faz sorrir, gozar, sonhar. Quando faz mal, nos tiram o sono, a fome, nos adoecem, matam. Os sentimentos são instáveis, não deveriam ser considerados tão importantes. Hoje seu coração acelera quando você pensa em alguém, amanhã esse mesmo alguém pode te provocar náuseas. Tudo é tão insustentável. Mas nós somos muitas vezes impulsionados a agir de acordo com o que sentimos. Essa é a definição de uma pessoa impulsiva. Ela age sem pensar muito. Sente e faz. Depois não consegue lidar com as consequências do que fez. Eu sempre evitei ser assim. Eu penso mil vezes antes de fazer algo. Eu tento. Mas será que isso faz alguma diferença? Eu também erro e também me vejo incapaz de sustentar as coisas. Quem nunca seguiu um impulso e chutou o pau da barraca? Isso é bom quando a gente quer sair da barraca e não consegue. Mas é péssimo quando você ainda gostava dela, porque ela cai em cima de você e nem sempre é possível concertar o estrago. Mas também é um enorme estrago ficar preso dentro de uma barraca quando você queria pode sair para ver a praia, o por do sol, caminhar por aí. Esperar ter certeza de que não perderá nada, de que não sofrerá, de que está fazendo a escolha certa, é um grande erro. Certezas não existem. O que existe são pessoas. Contraditórias, caóticas, confusas. E as relações entre elas, os conflitos. Toda relação é um gerenciamento de conflitos. Há uma certeza: os conflitos. Sempre existiram, sempre existirão. Com quem quer que seja, em qualquer relação. Eles podem demorar para aparecer, nós podemos ignorá-los por um tempo, mas eles estão lá. Como lidar com eles? Como estar perto de quem se ama se a relação sufoca? O jeito de ser dessa pessoa e o seu não se encaixam. Se valer a pena, é preciso ceder, negociar, abrir mão, perder. Qual é o limite disso? Até quando se deve agradar os outros? São essas questões que é preciso levar em consideração quando você se relaciona com alguém. Eu estou falando de relações amorosas. Pais e filhos, irmãos, amigos, namorados. Não importa, toda relação carrega seus problemas. A gente é condicionado a buscar o que é mais fácil. Se afastar, desistir, bloquear. E seguir a estúpida ilusão de que encontraremos alguém “melhor”. Mas isso resolve? Claro que devemos manter distância de algo que nos faz mal. Mas se todas as relações trazem conflitos é melhor viver isolado? Não gostar de ninguém? Ficar trocando de relação para manter a ilusão viva? Não foi dessa vez, na próxima dá certo. Essa ilusão eu não tenho mais. Claro que para uma relação sobreviver aos conflitos é preciso que as duas (ou mais) pessoas estejam interessadas. Se uma delas não tenta, não vai funcionar. Uma relação não existe sem o outro. E às vezes é mais saudável romper uma relação que não tem jeito e construir outras. Quando saber a hora certa de romper? Isso sim é irônico, porque por mais que os sentimentos sejam meras conexões nervosas, são eles que sustentam as relações. As atitudes importam, mas se você não sentir mais nada, serão como construções vazias. E aí a gente volta ao mesmo ponto de antes: é preciso conhecer os próprios sentimentos. Será que isso é possível? Como conhecer terminações nervosas que mudam o tempo todo? A cada palavra, a cada olhar, a cada sorriso, uma só conversa com alguém e os sentimentos mudam. E isso definitivamente não é amor. São paixões. Paixões são passagens, flutuações. Mas somos apenas partes e como partes somos atravessados por elas. A liberdade é a pior de todas as ilusões. Diante dessas paixões, há quem prefira pensar e sentir antes de agir. Mesmo correndo o risco de ficar estagnada diante das incertezas. Outros preferem agir de acordo com os sentimentos de cada momento. Todas as nossas ações são como chutes no escuro. Às vezes acertamos a bola, às vezes a pedra.

E isso me lembrou uma música do Marcio Policastro que eu gosto muito. Ela diz assim: “a vida é feita de mal-entendidos, eu chuto pedra só pra tropeçar”. 

quarta-feira, 22 de abril de 2020

A realidade do sonho

Eu lembro que quando eu tinha mais ou menos 3 anos eu amava ver televisão, mas ao contrário da maioria das crianças minha paixão não era apenas pelos desenhos animados. Eu não me contentava em ser a princesa Sara que tinha um lindo cavalo preto. Meu desafio favorito era decorar todas as falas e músicas que passavam nas propagandas. Lembro que mais ou menos naquela época fiquei horas pensando em como entrar dentro da tevê, eu achava que aquelas pessoas moravam lá dentro. 
Quando eu tinha 7 anos eu já sabia escrever e era completamente apaixonada pela novela que mais fazia sucesso na época. Mais uma vez, não satisfeita em apenas assistir a novela, eu anotava as falas da minha personagem favorita e no dia seguinte, junto com outros colegas de escola, brincava de reproduzir as cenas. 
Alguns anos depois, entre 9 e 10 anos, eu queria apresentar uma peça de teatro na escola para o dia dos pais, mas a professora disse que não tinha quem fizesse a peça. Então eu escrevi uma. E isso aconteceu mais algumas vezes, lembro que a última vez que escrevi uma peça e apresentei foi sobre a ditadura militar no segundo ano do ensino médio. 
Quando eu terminei o ensino médio eu sabia muito pouco sobre como era um curso de teatro. A única coisa que eu ouvia falar é que existia um teste de aptidão pelo qual os professores avaliariam se você tinha ou não talento. E eu não me sentia segura pra isso. Aliás, acho que descobrir que eu não tinha talento pra fazer algo que eu sempre amei fazer, era o maior medo que eu tinha naquela época.
Eu me encontrei com a filosofia e nossa relação acadêmica me deu a oportunidade de ir morar em São Paulo para fazer o doutorado na USP. Ao chegar lá eu já sabia que era o momento de reencontrar a menina que amava atuar. E logo que cheguei comecei a frequentar o grupo de teatro da ECA. Fiz parte desse grupo por 4 anos.
Quando estava terminando a tese, literalmente nas últimas páginas, fui incentivada a tentar uma seleção para uma escola de teatro. E para imensa surpresa e a eufórica alegria eu fui aprovada. Até hoje me pergunto o porquê. Muitas vezes quando me sinto perdida durante as aulas, quando me vejo tremendo de medo, vergonha ou sentindo que não faço ideia do que tenho que fazer, me pergunto o que será que aquela banca de professores viu em mim. 
Estudar teatro tem sido o maior desafio que eu já vivi e às vezes eu acho que tô fazendo tudo errado, que eu tô só perdendo tempo e dinheiro, e que deveria parar de querer realizar o sonho de uma criança de 5 anos de idade. Muitas vezes eu tenho medo de estar perdida, porque é assim que eu me sinto. Eu sei que começar algo do zero quando a gente já deveria ter uma carreira sólida etc etc pode ser um erro, mas eu não posso desistir, porque quando eu estou lá eu sinto que estou onde eu sempre quis estar. 

sexta-feira, 26 de abril de 2019




A natureza sobrevive de ciclos. 

Nós também. 

Eu passei por longo outono e perdi quase tudo 
e muitas vezes durante o inverno eu cheguei a pensar que não ia suportar o frio, 

mas não importa quanto tempo demore, 
porque quando for no tempo certo

a primavera sempre chega pra nos dar uma Rosa 

e junto com ela vem os primeiros raios de sol 
que vão iluminar e aquecer o próximo verão.

sexta-feira, 30 de março de 2018

Realinhando


Sozinha em casa
 sem usar o celular,
sem querer falar com ninguém,
 sem sentir saudade, sem sentir solidão,
 sem sentir medo, sem sentir tristeza. 
Sem álcool, sem drogas, 
sem precisar pensar em nada. 
Só você com você mesmo. 
Sem importar nada que tenha lá fora.
Acho que é isso que alguns chamam de paz interior. 
O prazer da liberdade é experimentar, 
pelo menos por algumas horas,
que você não precisa 
de nada e 
de ninguém. 
Sozinho 
consigo mesmo
 e feliz. 
No meio de um feriado
 em que todo mundo viaja,
todo mundo ama, 
todo mundo perdoa, 
todo mundo se encontra. 
Eu só quero continuar assim. 
Perdoando a mim mesma.

Peguei minha garrafa e fui pro meu quarto. Fiquei só de cueca e deitei na cama. Nada estava em sintonia, nunca. As pessoas vão se agarrando às cegas a tudo que existe: comunismo, comida natural, zen, surf, balé, hipnotismo, encontros grupais, orgias, ciclismo, ervas, catolicismo, halterofilismo, viagens, retiros, vegetarianismo, Índia, pintura, literatura, escultura, música, carros, mochila, ioga, cópula, jogo, bebida, andar por aí, iogurte congelado, Beethoven, Bach, Buda, Cristo, heroína, suco de cenoura, suicídio, roupas feitas à mão, voos a jato, Nova York, e aí tudo se evapora, se rompe em pedaços. As pessoas têm de achar o que fazer enquanto esperam a morte. Acho legal ter uma escolha. 

Bukowski. 

sexta-feira, 16 de março de 2018

O que eu mais quero 

É me jogar nos teus braços
Me prender no teu cheiro
Me desmanchar num abraço
Me derreter com teu beijo 

Me entregar ao teu toque
Me entrelaçar em teus dedos
Me perder nos teus olhos
Concretizar meu desejo

Quero te amar todo dia
E ao teu lado dormir
Sentir o teu corpo
E te fazer sorrir

Porque sempre que eu fecho os meus olhos
Eu só imagino você
Conto as horas para ouvir tua voz
E no calendário
Marco os dias pra te ver 
Se eu não sei o que é o amor
Contigo eu quero aprender

O que eu mais quero ... 

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018



Se eu soubesse escrever uma canção
Te juro que eu escreveria
Escolheria as melhores palavras
Com a mais perfeita melodia

Se eu soubesse pintar um quadro
Te juro que eu pintaria
Cada contorno do teu rosto
cada traço e cada linha

Se eu soubesse fazer uma escultura
Te juro que eu faria
Todos os detalhes do teu corpo
Com as minhas mãos eu construiria

Insustentável

Às vezes me perco pensando em você 
no gosto do beijo 
que ainda não consigo esquecer



Às vezes me perco lembrando esse momento
a música percorria seu corpo
e eu parava no tempo


Às vezes me perco te ouvindo cantar
seu sorriso é doce e belo

em contraste com o fogo do seu olhar

Eu sempre me perco querendo entender 
Seu misterioso universo
Sua insustentável leveza de ser


Me faça seguir outra direção que eu me entrego para enlouquecer em suas mãos
Me faça seguir outra direção porque quando eu te encontro eu perco a razão

Só te quero essa noite  
...Só que não.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Falta crônica - no divã.

Já faz um tempo que eu aceitei que precisava conviver com a saudade, porque eu sempre estou sentindo saudade de alguém, de algum lugar, de alguma sensação, mas hoje me dei conta de outra coisa. Quando eu era criança eu passava as minhas férias no interior enquanto minha mãe viajava ou ficava na cidade. Eu amava o período das férias, mas eu sabia que essa felicidade tinha um preço muito alto. Eu sentia todos os dias saudade da minha mãe, principalmente no final do dia. E aí com o passar dos anos percebi que minha felicidade sempre estaria sendo paga com saudade. Se eu estivesse com minha mãe, tinha saudade dos meus amigos ou então o contrário. Era impossível juntar tudo que eu amava no mesmo espaço-tempo. Era como se eu vivesse em mundos paralelos. Eu parecia já ter aceitado isso. Todavia, 

Hoje me disseram "vos sentís falta de la falta" ...


Se eu parar pra pensar na minha vida inteira e procurar um período em que eu não sentia falta de nada, talvez eu não encontre. Se trago minha memória mais distante, vejo que nela eu já convivia com a falta do meu pai. Hoje eu sei que o que eu sinto dele não é saudade, porque não tenho sequer uma boa memória com ele. Toda vez que eu tento lembrar dele, a única coisa que me vem é a bendita falta. Será que a falta que ele fez durante todos esses anos da minha vida me fez ser assim? Será que a falta que eu sinto de tantas coisas na verdade é uma só e mesma falta que permanece aberta e vazia como uma ferida? Acho que sinto uma espécie de falta crônica, porque parece que eu já vim ao mundo faltando um pedaço. 

Por mais feliz e realizada que eu esteja, sempre vai me faltar alguma coisa. Sentir falta é parte do que eu sou? Sinto, por exemplo, a falta absurda de um amigo. Eu não o procuro, embora doa muito a falta que ele me faz, porque eu não sinto falta de quem ele é hoje. Hoje eu nem o conheço. Eu sinto falta de quem ela era há 10 anos. Não por acaso, ontem sonhei com ele. Sonhei que nos reencontrávamos. Quando ele me via, ele abria um enorme sorriso e corria pra me abraçar, eu estava como estou hoje e ele ainda tinha 11 anos, como naquele época que ele me amava e que eu continuo amando

Talvez seja daí que a falta se alimente, da minha dificuldade de deixar de amar o que já passou, o que não existe mais. Se sinto falta deve ser porque essas coisas estão presentes em mim, continuam vivas no meu corpo. Vai ver eu só sinto falta porque amo coisas que não deveria amar mais. Então como eu faço para apagar de mim aquilo que já foi apagado pela vida? 





quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Sonho bom

Eu não sei explicar
Mas alguma coisa aconteceu
Era leve e confuso como um sonho bom
Eu tentava evitar
Era mais forte que eu 

Os meus sentimentos se embaralhavam

Num jogo com regras definidas
Como peças em um tabuleiro de xadrez
Eu não conseguia me mover
porque me sentia perdida 

Eu esquecia meus olhos em você

E nem percebia o tempo passar
Sem palavra o meu corpo te dizia
O que minha mente tentava calar

Escrevi essa canção pra dizer

que a eternidade ao teu lado seria pouco 
Me sinto bem quando penso em você 
quero estar contigo de novo 
sem saber que horas são
sentindo teus dedos tocando meu corpo.


Buen sueño
No sé explicar
Pero algo sucedió
Era ligero y confuso como un buen sueño
Yo intentaba evitar
Era más fuerte que yo

Mis sentimientos se burlaban
En un juego con reglas definidas
Como piezas en un tablero de ajedrez
No podía moverme
porque me sentía perdida

Olvidé mis ojos en ti
Y no percibía el tiempo pasar
Sin palabra mi cuerpo te decía
Lo que mi mente intentaba callar

Escribo esta canción para decir.
que la eternidad a tu lado sería poco
Me siento bien cuando pienso en ti
quiero estar contigo de nuevo
sin saber qué hora son
sintiendo tus dedos tocando mi cuerpo.

domingo, 5 de novembro de 2017

soneto de uma odisseia



Se meu coração soubesse falar
O que nenhuma palavra consegue dizer 
O que sem trégua invade o meu ser
E que não me deixa parar de pensar 

Nem mesmo Camões poderia ajudar
Um amante que se encontra perdido
procurando a saída de um labirinto 
Sem Ariadne ou outro fio pra lhe guiar

Que esse tormento não se demore
Para não torná-lo um escravo da paixão 
Que se torne alegria o que já foi dor

Que nenhum sofrimento seja em vão 
Porque um coração ferido só conhece o amor
Depois de atravessar o mar da ilusão. 

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Não era pra ser

Eu vou romper o silêncio
Pra contar uma história de amor 
Com tantos dilemas e casos
Que não se vê nem nas cartas do tarô

Eu estava quase sozinha
Quando seus olhos pararam nos meus
Com a refração dos raios luminosos
O difuso reflexo de um arco-íris apareceu

Te contei cada um dos meus sonhos
Escrevi pra você minha primeira canção
Revelei todos os meus segredos
Brincando com as nuvens, deitados no chão

Quando eu sentia frio ou medo 
Você estava lá pra me fazer sorrir
Criando cenas, forjando planos ou
fazendo promessas que não ia cumprir 

Ao te ver com outro alguém 
Eu aprendi uma nova dor
Como se faltassem um pedaço de mim
No abismo que você deixou

O teu sorriso já não me pertence
Você não quer mais ser parte de mim
Esse adeus me partiu em mil pedaços
E eu nem sei porque você quis partir

Já apaguei todas as fotos
Mas o que eu sinto eu não sei apagar
Eu te amo mais agora do que antes
Não me importo se você não acreditar

Ainda quero rir das tuas piadas sem graça
Porque essa história só terminou pra você
Mas fico feliz em saber que você está bem
Eu posso aceitar sem nunca entender

Uma história de amor 
que não era pra ser
Uma história de amor
que só terminou pra você.  

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Podia ser só mais um dia ruim
Esses dias sem cor que todo mundo tem
Mas a noite está quente demais
E mesmo assim eu sinto frio

Podia ser só mais uma tempestade
Ou aquela tristeza por perder num jogo 
Mas hoje eu não quero sair  

Podia ser só mais uma ressaca 
que destrói o corpo de qualquer pessoa
Mas eu sinto a minha força escorrer
Enquanto fecho os olhos,
 me deixo escurecer 

domingo, 24 de setembro de 2017

cinza

O tempo se arrasta
ecoa um silêncio
imposto por palavras que não dizem nada
Um sentimento confuso 
corroendo por dentro 

Não vou abrir a janela
A textura da sombra
conforta o peso e a dor da espera
De repente perdi o bonde
o trem, o prumo, o rumo.

Uma sequência de erros
tentando escapar das consequências de existir 
Já não me reconheço 
diante de mim mesma 
Estou melhor sem você

No último instante 
vou aprender a dizer não
No último cigarro 
dessa madrugada fria 
apagando memória, queimando velhas fotografias 

Eu dei as costa para o amor 
joguei fora as cartas da certeza 
mas eu quero voltar
Um dia
Talvez 
Eu vá me encontrar. 



quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Vendo um coração

Eu sei bem que quando a gente desapega de coisas e de pessoas 
tudo fica mais leve e a bagagem da vida fica menor. 

Sem precisar se despedir, fica mais fácil partir sem doer.

Sem bagagem fica mais fácil embarcar em qualquer avião, em qualquer barco, trem ou bicicleta. 

Fica mais fácil seguir em frente quando você não tem nada pra levar.
Quando não tem ninguém pra deixar pra trás. 
É só mudar o rumo, a rota.


Se



Se eu não tivesse medo
te contaria
quantas vezes
no mesmo dia 
eu penso em você

Se eu não tivesse medo
te cantaria
todas as canções
sem melodia
que já fiz pra você

Se eu não tivesse medo
te falaria
sem pensar 
sobre a essa alegria
que eu só sinto quando estou com você 

Se eu não tivesse medo
de te perder um dia
Eu correria
pra te abraçar 
e me entregaria
à você. 

Se,
eu não tivesse medo... 

sábado, 12 de agosto de 2017



A MENINA E O MAR



Conheci o mar em 1999. 
Eu tinha exatamente 9 anos,
naquela época esse era o maior sonho da minha vida. 
Quando me vi diante daquela imensidão, meus olhos brilharam.
Minha mãe disse: pode ir. 
E eu fui correndo. 
Entrei na água com o coração acelerado, eu tava acostumada a nadar em açudes com águas calmas e doces. 
A onda veio com força e me derrubou. 
Engoli água, areia e muito sal. 
Levantei triste, quase chorando. 
Minha mãe fez uma foto, tenho ela até hoje. 
Nosso primeiro encontro não foi como eu esperava, mas continuamos assim. 
Eu amo quando a força das ondas me puxa pra dentro ou me joga pra fora. 

 O mar é isso, indomável.



terça-feira, 1 de agosto de 2017

Selvagem




Meus textos são selvagens, minhas palavras, meu pensamento. 
Assim como o meu corpo que dança, salta e gira sem seguir padrões.
É como o meu coração que ama, mas não se entrega.
Sou incapaz de controlar minha escrita,
incapaz de adaptar meu corpo,
de dominar meus impulsos,
de pertencer ou fixar-me.
Sou selvagem 
e tudo que escrevo ou faço é livre,
 corre solto por aí. 

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Na profundeza dos sonhos







Nas últimas duas manhã tive sonhos estranhos e, digamos, assustadores. 

É verdade que há muitos anos percebi que existe um horário da manhã (entre 7 e 10h) que eu tenho sonhos muitos profundos e dos quais é muito difícil (às vezes impossível) sair deles. Mas já faz dois dias que sou quase sequestrada por Morfeu durante o dia. Não importa o que eu esteja fazendo, o sono vem como se fosse efeito de um veneno e eu  imediatamente adormeço profundamente, apago.  

Todos os meus sonhos nesses horários tem uma história, um roteiro pra ser desenvolvido e em geral cheias de dramas e de aventuras. Eu estou sempre em lugares desconhecidos e tentando me virar, fugir, resolver alguma coisa etc. Mas nas duas últimas manhãs eu não conseguia fazer o que eu tinha que fazer no sonho porque eu dormia. 

Dá pra acreditar nisso? No sonho eu dormia tão profundamente que sonhava. Eu tentava ficar acordada (no sonho) mas não conseguia. Eu tinha que resolver coisas importantes  no sonho, coisas das quais minha vida dependiam, mas meus olhos pesavam e o sonho que eu sonhava dentro do sonho era tão profundo que eu estava presa sem conseguir sair enquanto tinha plena consciência que sonhava. 

Isso aconteceu na primeira manhã (ontem), aí eu acordei do primeiro sonho perdida, atordoada porque percebi que ainda estava sonhando, acordei de novo (agora de verdade) e fiquei meia hora sem entender o que tinha acontecido. Eu estava num terceiro nível de sonho, e o pior é que eu conseguia lembrar do sonho que sonhei dentro do sonho. 

(Será que estou ficando louca!?!)

Hoje de manhã já estava totalmente acordada, já tinha levantado da cama, escovado os dentes, bebido água, feito algumas coisas etc. quando me veio novamente um sono desses que pesava uma tonelada. Dormi, apaguei. 

No sonho de hoje eu estava no Deserto do Atacama. Eu havia sido levada para lá, não sabia como e nem por quem. Estava perdida. Tentava encontrar respostas. Encontrava em uma casa  verde que tinha bem no meio do deserto, dormindo tranqüilamente numa rede, o meu amigo Pedro Bernardino. Eu o acordei e o chamei para dar uma volta para descobrir onde estávamos. Parece que ele já estava lá há mais tempo e nunca se preocupou de entender o porquê. 

Quando caminhávamos no meio do deserto, comecei a sentir muito sono e disse: Pedro, não posso continuar, não consigo ficar acordada, sinto que vou adormecer. Ele relutou dizendo: você não pode dormir aqui, precisamos tentar fugir, é perigoso. Eu simplesmente apaguei. No sonho eu senti um sono tão pesado que me sentia arrastada. Era impossível não dormir. Muito parecido com o efeito (delicioso, diga-se de passagem, de quanto tomamos uma anestesia total.) 

O mais estranho é que quando dormi,acordei. Assustada, mas ao mesmo tempo admirada e curiosa. Fiquei um tempão deitada na cama pensando: 

Será que isso vai acontecer amanhã de novo? Por quanto tempo? Por que isso está acontecendo comigo? Por que não consigo ficar acordada nem no sonho? 


Só Freud explica.